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Ok, eu assumo: Abandonei o Clareador Cerebral! Mas a vontade de escrever nunca fugiu e ainda faço questão de bater nesta tecla. Sempre tive dúvidas sobre minha vocação e estive sempre dividida entre ser atriz ou escritora. Hoje, meu “estar” na política não permite muitas escolhas, porém, o fazer artístico me é. E faço minhas as palavras do mestre Domingos de Oliveira hoje, durante sua palestra: A vida não explica a arte, é a arte que sempre explica a vida. Não pensei que respirar palavras de novos e “velhos” escritores, numa pequena cidade histórica, fosse reascender tantas dúvidas em mim e a chama das histórias me queima de uma forma sublime. Eu sei escrever. Desculpe-me a modéstia, mas eu sei escrever. Senti falta de você, doce criatividade! E aos leitores de plantão, aguardem... Também não entendo porque as pessoas lêem este espaço eletrônico e me questionam depois. Caso alguém tenha algo para me questionar, questione aqui, nos comentários abaixo. Sempre gostei de escrever histórias sob um ponto de vista masculino e tornar vivências alheias em personagens do Clareador. Não deixarei minha vocação de lado e continuarei a vomitar palavras sempre. Se não gostou, mude de website, vá ler notícias sobre a morte de alguém lá longe. Hoje, não tenho medo que minhas palavras virem-se contra mim. Aliás, acho que nunca tive. Obrigada, Mesmo... Mariana Perin
Escrito por Clareador Cerebral às 19h55
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Desculpe-me Sr. Drama
Infelizmente, Nunca soube atuar com quem amo. Nunca soube mentir fora dos palcos. Deve ser por isso que sinto tanta falta da caixa escura, das palavras altas e bem ouvidas da farsa sempre cumprida. e dos cúmplices atores que vivem uma nova vida ao meu lado. Infelizmente, Você carregará o fardo de que não menti Ou fingi sofrer uma insuportável dor De amar-me mais que a ti. Vá com Deus, Mas me desculpe, Nunca atuei fora dos palcos.
Escrito por Clareador Cerebral às 10h30
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Não preciso mais mentir sobre saudade, já que sonhei com a última vez que fizemos amor e você me pediu para não voltar mais. Sorrimos, mas em tom de despedida, sabia que não nos veríamos. Depois daquela ligação cretina, creio eu que tenha recebido uma praga ou uma peste para que eu realmente não encontrasse mais ninguém. Mas somos do mesmo material, por mais que negue. E tentei me afastar dos pensamentos sombrios, que só me machucariam, mas nunca conseguirei ao menos perguntar de ti. Ainda me odeias como seu pior inimigo, coisa que uma menina pura nunca seria capaz. Levanto meu escudo e não tenho mais um exército em campo. Preciso renascer.
Escrito por Clareador Cerebral às 10h22
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Tomavam banho e suspiravam pelo amor. Ela, enquanto ensaboava as costas de seu amado, sonhava em entender como Deus cria seus homens com perfeição. Cada mancha, cada pinta, cada sarda e cada gota d´água inspiravam seus pensamentos. Saíram do box. Ele pediu uma toalha. Ela, parada, ainda não conseguia distinguir a realidade de um sonho. Deitou molhada na cama. Pensou que teria de lavar aqueles lençóis em minutos, coisa de moça que mora sozinha. Mesmo deitada e molhada, ele chegou e abraçou aquela frágil menina. “Não sou como essas que garotas que você se acostumou a lidar. Sou uma mulher. Mas sua menina”. A moça estava rendida naquele momento e não podia mais suspirar pelo amor. Tinha medo, já fora tantas vezes machucada e magoada que seu coração pedia paz. Os braços quentes pediam aquele corpo fragilizado. Amaram-se. Ela, depois, como um ritual, lavou as roupas de cama, as toalhas. Forrou a cama. Conversaram e ele partiu. Um vazio invadiu aquela sala, assim como os raios daquela tarde ensolarada de verão. Teve medo, mas sorriu. A menina dos cabelos de mel queria somente sentir-se viva sempre.
Escrito por Clareador Cerebral às 17h06
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Olha, Tô querendo paz agora. Pensando em filhos, família e todo aquele recomeço Coisa boa, primeira faixa do novo disco. Ainda vejo uma casa no campo e crianças na praia Num dia de verão. Olha, Passou da hora de dizer Adeus, Por isso se vá. Encontre alguém bom, que te faça feliz, Que pinte o nariz de vermelho só para te fazer sorrir. Porque estou legal. Vejo aquela menina em mim, com um brilho sem fim. Desculpe dizer isso Enfim... Olha, Se eu puder, Estarei sempre ao seu lado Um fiel escudeiro Quem amou muito um dia e quer ser amigo Mas tenho outro bem! [Enquanto o clareador não migra para outro endereço eletrônico, postei algo por aqui.]
Escrito por Clareador Cerebral às 13h00
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Você se libertou. Fazer o que?
Entendo... desejo boa sorte.
Mas não imaginava uma dor tão forte.
De todas as minhas viagens, quando ia daqui ao Rio,
Com sorrisos mil, cheio de samba sem nada que gostasse.
Quando Vinícius chegou, tu não entendeu.
Mas de que valeu a solidão?
Vá lá. Pode ir.
Mas eu não vou fugir. Pra que?
Meu abrigo é você, enquanto opto pela chuva
Sinceramente, meu saber não existe.
E vá lá. Porque eu vou fugir sim. Maior prova de sabedoria
Nas horas em que sofro, não quero a noite.
Quero a praia.
E só elas, e não você – ninguém!
Escrito por Clareador Cerebral às 00h09
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Eu não tenho saudade do que fui. Acho que já sinto saudade do que posso me tornar. É um misto de mulher, com medo do que está por vir, mas a pitada de menina me torna frágil e vulnerável. Não agüento mais ser forte. Fui criada para liderar um batalhão, mas perco tantas guerras e estou me perdendo dentro de mim. Não consigo me relacionar, ainda estou presa em amores e não me permito viver novas historias. A mulher moderna trepa mas não ama - Eu não faço nenhuma das duas coisas. Uma mulher ultrapassa a noção de certo e errado e sempre mergulha em baixarias intermináveis consigo. Eu nunca pensei que crescer doesse tanto. Luto contra a solidão, mas hoje, com meus vinte e poucos anos, sozinha no meu apartamento, vejo no escuro da noite uma luz. Ainda tenho tanto pela frente, mas olhar para trás simplesmente me é e não quero mais. Isso não é vida, mas ainda acredito em você. Ainda acredito em nós dois.
Escrito por Clareador Cerebral às 14h32
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Minina moiada de chuva gelada
A menina estava toda molhada, não entendi porque ela descia a rua naquela chuva sem olhar pra ninguém. Sem sombrinha a menina. Eu estava na outra calçada, observando seus olhos tristes. Imaginava porque ela não sentia o cabelo na cara ou mesmo ignorava os transeuntes. A morena era bonita sim, tinha um peso de menina nos pés, naquele tênis de lona tão esquisito. Acho que tinha ido mal na escola. A mochila tava pesada não. Então acho que deve ter sido briga com o namorado. Juro, ela estava tão sozinha, tão frágil e cheia de gotas nos cabelos na cara que gritei:
- Menina! Sai da chuva...
E ela nem olhou, acredita? Continuou caminhando como se a chuva lavasse sua alma. Cheguei em casa, abracei minha fia Marcinha e pedi a ela que não saísse na chuva, pois podia ficar doente. Não gosto de ver essas meninas passeando sem cuidado. Acho que a mãe dela ia ficar uma fera quando ela chegasse em casa. Era bronca então? De quem? Vai saber... Mas pra onde a menina ia tão molhada na chuva gelada?
Escrito por Clareador Cerebral às 16h49
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a coca light roubou meu troféu
Quando ela sorriu, de dentro do carro, tive certeza que iria morrer. Ou que ela me mataria com aquelas covinhas tão antigas como nossa relação. Tudo bem, eu sei que não devo dizer “relação”, quando foi somente uma historinha para se contar e um troféu juvenil, mas gosto de conversar com ela e o pior é que a guria sabe.
Abraçou-me. Teve tanta certeza de seu charme a ponto de zombar meu modo estranho de cumprimentá-la, meio jeca. Sentamos naquele mesmo bar. Dessa vez, pedimos uma única cerveja, sinal que os tempos são outros. Depois da cerveja, somente um refrigentante light. Coisa de mulher. Mas queria dividir, portanto, foi o light mesmo.
No papo de boteco, surgiram dezenas de assuntos. Ela mexia no cabelo e isso me enfeitiçava de tal forma a não prestar atenção em nada do que ela dizia. Estava até um pouco chata. Não me culpe por julgá-la, mas os anos tiram o brilho de nossas meninas, não adianta. E a mulher à minha frente apenas suplicava por um pouco de atenção. E era tudo que eu não podia dar.
Fui covarde ao fugir de sua boca, levemente entreaberta. Aquele órgão me levaria às lembranças, sempre em fuga de minha mente. Falava de seus amores, do seu suposto divórcio e do quanto sentia falta da juventude. Ela tocou no assunto do meu jipe. Eu lembrei de quando a toquei no meu outro carro, o popular básico que veio depois da minha máquina russa beberrona à gasolina.
Em certo momento, Amanda me perguntou se fora minha única paixão mal resolvida, gargalhando crente de minha resposta. A surpreendi, dizendo que não. Citei as últimas paixões e que, apesar de muito bonita, ela é uma amiga surpreendentemente especial. As palavras a atordoaram, assumindo então o significado que eu tenho em sua vida. Um capitulo colorido em sua história.
Ficamos mudos.
Preferi pedir a conta. Queria caminhar até minha casa, mas a menina das covinhas fez questão de me levar para casa. Seus cabelos claros brilhavam contra a luz artificial dos postes encostados às casas simples da rua. Esperava um beijo. Mas não senti vontade de dá-lo. Percebi, pela primeira vez, o quanto estou me desfazendo dos troféus de minha juventude.
Escrito por Clareador Cerebral às 20h47
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Ela nunca mais foi
Era tão fácil...
Ou não.
Mas ela jogou tudo para o alto e foi ao encontro do amor. Tinha pizza em cima da mesa e a coca-cola ficou sem gás no copo de requeijão. Mas nada importava, somente a delicadeza de se apaixonar.
Gritou para os vizinhos: “Seus velhos tarados! Danem-se porque eu amo”.
Isso era inusitado. Beatriz achava que aquela dor em seu estômago, aquele comichão nas mãos e aqueles olhos lacrimejantes era o sinal de que, pela primeira vez, ela se deixara invadir.
De tempos em tempos, em seus passados verões, arrebatava sempre um ou dois amores de praia. Seu pai, pobre Senhor Marcino, se punha a chorar do tanto que esperou madrugada afora pela menina. Puxou-a pelas orelhas aos 17 quando a viu usando somente soutien em frente da casa de veraneio.
Nunca amara antes disso.
Mas aos 22 se apaixonou.
E subia a rua sem medo, com uma sensação jamais experimentada.
Seus pés doíam e Beatriz sentia o vento gelado e gostava daquelas pontilhadas da natureza em seu rosto. Seus cabelos na cara não a deixavam enxergar os transeuntes.
- Ta no mundo da lua? Perguntou um qualquer. Ela gargalhou.
Subiu no ônibus, desceu, perguntou ao motorista se estava muito longe e caminhou até o outro ponto, não tão longe dali. Quando o viu, com suas malas e um livro de contos nas mãos, sabia que Deus reservara alguém de outras terras para ser seu dono.
Nunca mais foi Brasileira, mesmo depois de seu primeiro amor.
[para uma mulher que amo. mas está longe de mim. hoje você me inspirou um montão]
Escrito por Clareador Cerebral às 14h28
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sunday, bloody sunday ou para quê tanta merda no mundo?
Lembrei do Cris e sempre que isso acontece, tenho crises artísticas. Ele foi um grande amigo e quando o perdi, fiquei um certo tempo sem entender a efemeridade da vida. Seu funeral foi, sem dúvida, o mais triste em que estive. Não que existam comemorações fúnebres, mas estava repleto de artistas e jovens artistas. Urna lacrada.
Era uma segunda-feira e não pude acreditar ao receber aquele telefonema. Semanas antes, me desloquei até Cangaíba, Zona mais que Leste de São Paulo, para assistir seu espetáculo. Sempre disse que o Cris era um ator vocacionado. Não era talentoso, mas esforçado. Sua não-consciência corporal e seu problema com a dicção limitavam seu ofício, porém, lembro de momentos sublimes em que o vi no palco. Nesta última vez, ele estava inteiro em cena. A perseverança dele me fazia continuar, me fez procurar outros mestres que acreditassem que era (e sou, graças a muitos) uma atriz. Uma vez, depois da aula na faculdade, fomos almoçar. Cris falara de seus projetos e porque fugia do roteiro ABC para a periferia de São Paulo em busca de sua arte. Seus olhos brilhavam ao falar da Cia. Estável, sua família, agora paulistana, fazendo circo e brincando de ser artista profissional quase que pela primeira vez. Agradeceu-me por ter feito sonoplastia e iluminação em seus infantis e prometera me ensinar a usar massa na hora de compor uma maquiagem mais difícil para um espetáculo. Discutimos a vida, os amores e o quanto era difícil ser veado e ator no ABC. Eu ri com esta constatação. Ele ainda me disse que deveria esperar, pois algo grande viria para mim e que eu devia investir em direção e dramaturgia, pois gostava da plástica da “coisa”. Acho que até hoje não fiz nenhuma dessas duas direito. Parei de atuar quando ele faleceu. Fugi. Mas depois voltei.
Esse almoço aconteceu há mais ou menos 6 anos. Ou 5, não sei bem.
E lembrei da voz do Cris ao ter contato novamente com a Cia. Estável. Ela está caminhando de vento em popa com uma pesquisa em um abrigo de moradores de rua no Brás, centro de São Paulo. Nei, um de seus mentores até hoje, foi contratado para uma oficina de circo pela instituição pública em que trabalho.
Ofício é mais ou menos assim.
Saudade deste mais que amigo, quase que um professor. Meu amigo de teatro.
Se eu fosse mais nova, diria que ele virou um anjinho dionisíaco que está nos protegendo e o invoco cada vez que grito “merda” antes de entrar em cena.
“Merda” para você viu?
E paz para o mundo. Porque a gente não merece se fod%# tanto!
[Cristiano era ator, um dos criadores da Cia. Estável, estudante de Radio e TV e professor de teatro infantil na Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Foi assassinado numa madrugada de domingo para segunda anos atrás. Ele saiu do espetáculo em Cangaíba, se despediu de todos e foi para casa. Seu corpo foi encontrado próximo de sua residência, onde morava com os pais, em Santo André. Disseram que ele não estava sozinho, estava acompanhado de um travesti, que também foi morto. As más línguas dizem que foi a polícia. A polícia diz que foram alguns Carecas do ABC. O caso nunca foi solucionado. E meu amigo se foi.]
Escrito por Clareador Cerebral às 11h33
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Ou mudo o tema da peça ou preciso de material e histórias para terminá-la.
- Por que você está assim?
- Assim como?
- Com essa cara ué? (...) Me responda!
- To normal amor, pára!
- Ta nada. Não adianta, né?
- O que?
- Pensar em mim?
- Ai meu Deus, vai começar com esse drama todo.
- Por que toda vez que eu toco no assunto é drama pra você?
- Por que eu não agüento mais!
- Termina então!
- Chega! Não termino nada, eu te amo. Ta bom assim?
- Não precisava desse tabom assim!
- Caramba! Eu não consigo ter paz.
- Eu também não, mas você não é capaz de terminar.
- Pelo jeito você também não.
- Eu te amo.
- Eu também.
- Vamos parar com essas bobeiras?
- Ta.
- Viu como você é? Não consegue nem falar direito comigo!
- Quer saber, boa noite!
Homem ou Mulher? Mulher ou Homem? Homem ou Homem? Mulher ou Mulher? Personagens? Discutir relação, vulgo DR. Piada preto e branco acerca dos relacionamentos. Prefiro o amor colorido de Drummond e Vinícius. (Risos). Ria do amor, não fique assim. Do mal de DR, acho que não sofro mais. Do bem do cheiro das cores do amor, é perfume de todas as horas. Mas material alheio me fará terminar essa maldita peça! Seja dito!
Escrito por Clareador Cerebral às 20h08
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Penso e Resisto
Todos os dias eu almoço com a minha avó.
Ela, velhinha, 81 anos, escuta todos os dias a mesma rádio. E todos os dias, em um certo horário, eles homenageiam o Rei. Sim senhores, todos os dias, toca pelo menos uma música do Rei em um horário específico. Hoje, mais clichê impossível, tocou Detalhes. Tentei prestar atenção no que o locutor dizia e minha avó, começou a conversar comigo:
“- Nossa filha, o Roberto faz a vida mais feliz.”
Depois da música, eles lêem uma carta (isso mesmo, não é e-mail não!) do ouvinte que pediu a música, contando sua história e porque a música “xis” do Roberto Carlos é tão importante em sua vida.
É engraçado. Minha avó, mãe do meu Pai, é apaixonada por Roberto Carlos. Minha avó falecida, mãe da minha mãe, era apaixonada pelo Roberto Carlos. O primeiro vinil da minha mãe foi do Roberto Carlos.
Mesmo em épocas bregas, ele manteve sua majestade.
E nesta tarde, entendo a importância de existir alguém tão atemporal na música. O Robertão resistiu. Com falhas, claro! Mas resistiu. Não consegui pensar em mais nada, a não ser em Resistência.
Escrito por Clareador Cerebral às 14h50
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Poesia de Condão
Quando criança, sempre pensava em fugir.
Certa vez, alcancei a esquina, mas sem sucesso,
fui pega de surpresa por pessoas da família.
É sempre assim, comigo pelo menos.
Eu tento fugir, mas fico presa
Um dia, juro por Deus, eu tenho de alcançar meu objetivo
E fugir para bem longe, onde ninguém possa me achar.
Poesia de Condão
Lá
Acordo, mas não vejo ninguém
E percebo o quanto meu sonho era vago.
Prefiro você ao meu lado.
[Mesmo assim, ainda quero fugir de mim.]
Escrito por Clareador Cerebral às 16h42
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Ana,
Ontem foi um dia de verão típico. Caiu o mundo por aqui e eu, dirigindo a vinte por hora na Paulista e vendo aquelas gotas escorrerem pelo vidro, pensei em escrever algo para você. A saudade sempre bate, mas ultimamente, ela chega com nuances de nostalgia e lembranças. O vento fazia um barulho horrível e eu estava tensa de medo. Lembrei de certa vez, quando fomos pescar com o Papai e com o Vovô. Chovia muito, e o bote balançava. Nunca os vi com tanto medo. E lá estávamos nós, meninas, com seus coletes salva-vidas curtindo um dia de verão. Não sei se a decorrência é fruto da minha imaginação, mas quando chegamos, Mamãe estava preocupada e deu uma bronca enorme em nós todos.
Ainda não fui para praia este ano, imagino que você, morando perto do mar, esteja com frio, mesmo não nevando por aí. Aqui, o calor nos toma de uma forma estranha, parece que não temos mais as estações do ano definidas. Falta também o meu olhar jovem, já esquecido, pensando em quantas coisas eu faria ou não neste Janeiro. Antes, concentrava todas as minhas angústias e anseios em Dezembro, e os lavava com um verão digno de uma adolescente cheia de histórias.
O carnaval está próximo. Sem marchinhas ou festa de rua. Sem vontade da diversão de quando ainda éramos meninas. Meninas que choravam, sofriam e lutavam, responsáveis pela formação de quem somos hoje.
Tenho medo em dizer que sinto a sua falta, pois não posso pressioná-la. Mas se olho para o céu, tenha certeza que me lembro de ti. Minha irmã mais velha, minha heroína de tantas horas. Nossa vida de novela é tão preciosa. Quero desta vez, desfrutar de uma vida adulta ao lado da mulher que amo, mesmo que em uma visita, e voltar a uma infância cheia de histórias. Somos privilegiadas! Educadas, “perfeitinhas”, as filhas que todos pediram a Deus, sem modéstia. Você fugiu de mim quando cresceu, e agora, que preciso tanto de ti, estou crescendo sozinha. Saiba que não seria nada sem você.
Com amor,
Mariana
Escrito por Clareador Cerebral às 11h11
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