Última atuação do ano
Uma atriz brinca com seu público
E de mansinho se aproxima do “s´eu” mais profundo
Distante, ali, te olha e te explica que seu mundo não é perfeito.
O palco é o espelho da vida
E quem estrela é o reflexo de ti.
Se sou um reflexo perdido
Em um horizonte com cheiro de ribalta
Que soe a campainha
As cortinas de um novo ano se abrirão
Merda para ti!
Dionísio nos proteja nesta nova jornada
E que os atores ainda brinquem com seu público
Mas que estrelem uma vida diferente em 2005.
Minha peça ainda será escrita pelo tempo
Mas peço que Deus (ou um Deus) deixe meu protagonista ficar
Minha história de amor eternizou-se com a beleza
Do Amar
Do Amor
Merda para ti!
Merd
Minha vida num palco
Todo ano com platéia, crítica e talento.
Viver requer talento se não sabia...
(O termo merda surgiu em Paris, mais ou menos em 1890. Os atores “proibidos” desejavam sorte dessa forma. É uma longa história, digna de um post de quem, modéstia a parte, entende de teatro. Sou uma mulher de teatro. Fazer o que?)
Escrito por Mariana Perin às 00h01
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Brasilidade do ser
Há algumas épocas do ano em que só chove ou só faz frio. Em outras épocas, a chuva vem no meio do calor insuportável. A vida é movida à temperatura ou ações climáticas. Cada um sente o que quer a cada gota de chuva que molha o asfalto.
Quando a chuva desce a rua enlouquecidamente, as calçadas se molham e todos fogem daquilo. Cada vez que isto acontece, olho pela janela e sinto como se gotas escorressem pelo meu rosto. Mas não estou a chorar. É um Deus lavando a alma de um petróleo escuro que cobre a rua.
Quando o sol queima meu rosto, sinto a brasilidade do ser. No verão, sinto orgulho de viver no país verde amarelo, onde a miscigenação é o maior legado já deixado. Há uma divindade em não ter raça, de ser um pouquinho do aqui ou do acolá. É perfeito ter todos os sangues correndo nas veias. É como se cada pedacinho do mundo estivesse em um só ser.
O amor pelo Rio de Janeiro é inexplicável. A Lapa é inexplicável. O samba é inexplicável. Aquele velho cartola sentado na calçada – ele, seu pandeiro e sua música. A roupa branca, perfeita, surrada e suada. As mulheres e suas peles de diferentes cores soam o samba pelos pés e suam o seio de tanto dançar. A água salgada lava a vida!
A beleza de São Paulo é fria. O inverno e sua correria, suas buzinas, os carros enlouquecidos. A noite fria sob o luar dos amantes quentes, que se amontoam em cobertores e se amam até o amanhecer. No dia seguinte, saem de casa, pegam seus carros, seus ônibus, suas botas e voltam para a labuta. Bela vida na bela vista de São Paulo. Mas no frio tem samba! Muito Samba Rock, muita gente orgulhosa dançando, muita arte, muita tinta, muitos holofotes e muita vida!
Janeiro é o mês que me gerou. É o meu mês. É um dos meus preferidos. Aniversário de São Sebastião – não tenho a menor idéia de quem ele foi! Mas é um mês interessante. É o mês que planejo e não cumpro. É o mês decisivo na vida dos brasileiros. É o mês em que a divindade sobrevive, pois temos muito mais fé. É o mês das promessas, é o mês do pé direito.
Meus Janeiros já tiveram os diferentes cenários e as mais diferentes trilhas sonoras. Porto Alegre salve salve, Meu Rio de Janeiro, minha pedra em São Sebastião, o caos na minha cama triste, meu interior, meu Cruzeiro, minhas histórias, minha brasilidade do ser. Minha pele jambo em todo janeiro, que em 2005 estará desbotada. Muito trabalho, suor e rock and roll. Minha brasilidade. Minha única identidade. Sou Brasileira, Italiana, Portuguesa, Espanhola, sou Tupi, sou Húngara e sou Mariana.
Tenham um ótimo verão. Época dos amores impossíveis e das grandes histórias. Ser jovem é assim: Quando amadurecemos, as histórias se tornam reais.
Assistam em vídeo: Houve uma vez dois verões. De Jorge Furtado. Ele é meu diretor e roteirista favorito!
Escrito por Mariana Perin às 12h50
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