Divagação sobre os cabelos brancos
Eu tenho cabelos brancos. Não que alguém vá se importar com isso, mas eu tenho. O primeiro nasceu quando eu tinha uns 16 anos, bem no meio da cabeça – ele nascia para cima. Assim, a Mara, minha cabeleireira, arrancava com a pinça aquele solitário que habitava o meu couro cabeludo. E ele, insistentemente, nascia novamente (obvio!).
Eu tenho cabelos brancos! Há uns meses, ao me deparar com SEIS amigos juntos, resolvi ir a farmácia e cometer um crime: Desvirginar meu cabelo! Nunca tinha experimentado química nele, odeio secador e afins, adoro cortar o cabelo com a filosofia de planta (a que sempre cresce mais forte!). Tá! Cheguei em casa, com um xampu tonalizante e pedi ajuda para a Dra. Vera Motta, minha mãe.
O incrível é que minha mãe só ri da minha cara nessas horas. Ela estava inconformada que eu queria colorir meus cabelos da mesma cor que o natural para cobrir SEIS cabelos brancos. O que são SEIS cabelos brancos, perto dos trilhões naturalmente coloridos por melanina que tenho plantados na cabeça?
Pelo menos eu passei alguns meses dizendo: Eu tinha cabelos brancos! Mas ontem, a sorte não estava comigo. Entre as chuvas ocasionais em São Paulo, voltando para trabalhar, parada em um semáforo na Oscar Freire, eis que os vejo... Os SEIS e mais alguns amigos juntos. Eles se juntaram para fazer uma revolução contra a minha cabeça. Eu só tenho 22 anos, será que eu posso viver sem vocês, seus malditos?
Eles ainda estão aqui. Eu tenho cabelos brancos. E ainda não comprei o xampu tonalizante, nem sei quando comprarei. Mas isso não é bom. Dizem que as mulheres que gostam de ler e gostam de arte não se importam com a aparência. O %$#@* que não ligam para aparência! É horrível imaginar que a velhice está por vir, e o primeiro sinal dela são os fios grisalhos. Um dia, você terá também (se é que já não tem).
Segundo minha mãe, cabelos brancos conseguimos esconder, mas o grau de miopia nunca para de subir, a pessoa vai ficando surda, esquecida e moralista. Vai saber! Enquanto isso, viva o Castin, Wellaton e afins!
Escrito por Mariana Perin às 13h24
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Falei
Transpiro sedução
Enquanto o desejo fálico entra em minha mente
Me sufoco em ti
Mas tenho sede do seu cheiro
Tenho a ti entre meus braços
Dentro de mim
Sinto cada pedacinho teu
Assim como sente minha pele macia na tua
Quando acaba
Me pega devagarzinho
Beija entre o meu pescoço e minha orelha
E me faz dormir como uma criança
Que sonha como gente grande
E deseja novamente
O falo.
Falo!
É de sua natureza.
Menina sapeca.
(Primeira poesia do ano.
A primeira que escrevo.
Nem ficou tão boa
mas como foi a primeira aqui a escrevo.)
Escrito por Mariana Perin às 00h16
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