A primeira vez de tudo
Ali nos beijamos sem saber muito o que significava. Era nova demais, e só hoje tenho consciência que uma menina de dez anos tem que brincar com boneca para aprender a ser gente grande. Já tinha abandonado as bonecas desde o ano anterior, quando Deus me predestinou a ser mulher tão cedo. Quarta-série e lá estava Mariana, descobrindo os problemas da adolescência e TPM. Com nove anos, tinha cólicas insuportáveis. Minha mãe dizia: Calma, um dia passa, e você vai entender o porquê.
Meu pai, quando fiquei mocinha, chorou horrores. Ele estava em uma reunião e minha mãe, pós-divórcio, o interrompe. Tensão na sala, o Perin atende a ligação de sua ex praticamente atual:
- Fala Vera! (pausa) Vera, para de chorar e me fala! (pausa) Que? (pausa muito longa). Enquanto isso o telefone escorria pelos ombros e esse pobre pai não sabia o que dizer. Pálido e ao ser questionado, diz perante aos colegas de trabalho, atônito:- Minha filhinha de nove anos ficou menstruada.
Recebi flores em casa. O primeiro homem que me mandou flores. Sem complexo de Electra, por favor!
Pra que estou a contar essa história, e o que isso pode ou não acrescentar na vida de alguém? Não sei, sinceramente, mas quando nos tornamos mulheres antes da hora, tudo acaba sendo precoce demais em nossas vidas. A primeira transa, o primeiro orgasmo, a descoberta da masturbação, os amassos no portão, o medo da gravidez, os namoradinhos e os namorados de verdade. Tudo vem mais rápido e assim, a mulher precoce é obrigada a crescer antes do tempo!
Aos onze anos, resolvi “paquerar” um menino do colegial Nos beijamos no pátio do colégio bem escondidos. Meu segundo beijo! Minha mãe, como uma boa mãe, foi tirar satisfação com o garoto! Proteção materna, mas que vergonha! Bom... Quando estava solteira, há quase um ano, encontrei este coitado em um bar do ABC paulista. É claro que não me reconheceu – Uma mulher de 1,70, cabelos esvoaçantes e vestida de uma forma diferente. Como ele, na época, tinha 17 anos, não mudou muito e o reconheci. Fui conversar com ele, e o lembrei do episódio... Acho que vi no seu rosto a lembrança daquela mãe furiosa que o tirou do campeonato de futebol para bater um papo. Não nos beijamos... Ele tinha os mesmos 17 anos, mas eu, já estava com 21! Sem vontade nenhuma.
Perdi a virgindade de uma forma interessante. Saí da Ed. Física em pleno segundo ano do colegial, suada, e meu ex-namorado me assistia. Era uma atleta na época. Pediu para que saíssemos da aula um pouco mais cedo, não lembro para que. Chegamos em seu apartamento, com os irmãos a jogar videogame no quarto ao lado, fizemos um pacto eterno. Com a porta aberta, uma adrenalina sem igual, ao som de musicas românticas, ali, fiz sexo pela primeira vez. Fui embora chorando, sozinha, a pé, sem entender porquê Deus me fez assim? Aprendemos o b-a-ba juntos. Fomos ótimos professores um para o outro. Terminamos. A vida quis assim. Um menino um pouco diferente de mim. Ficou ao meu lado por quatro anos.
Depois disso, tudo mudou, o sexo tornou-se cotidiano, transei meu melhor amigo, quando vi, namorávamos na faculdade. Quando vi, estava confusa entre homens, quando vi terminava namoros assim como se come uma bala. Depois de tudo isso, vi que não adianta mais nada. A vida emocional cada hora vai nos aplicar uma nova lição. O coração é uma caixinha de surpresas prestes a explodir a qualquer hora. Por isso, o corpo não acompanha e muitas vezes o tesão fala mais alto. Cérebro, coração, tesão! Ahhhhhhhhhh! Com certeza confusão!
Minha história com esse meu melhor amigo é muito longa, e deve aparecer aos poucos, apesar de saberem muito. Esse meu melhor amigo é meu namorado atual. Mas em certa fase que estivemos separados, muita coisa mudou, tanto para mim quanto para ele. Hoje, sou mais mulher porque abri as pernas quando bem quis e porque fiz o que bem entendi. E ele é meu homem por ter enfiado em quem desejou. Pensávamos um no outro, é fato, mas devo concluir que a maturidade sexual é natural, e às vezes a conquistamos antes do tempo ou no tempo certo.
Gosto de falar de sexo, porque lá atrás, não tive medo da porta aberta, não tive medo de brincar com o chuveirinho do banheiro, não tive medo de experimentar colocar a mão onde desse vontade. Gosto de falar de sexo porque transpiro sexo e acho que é a coisa mais natural do mundo. Não banalizar e sim aproveitar. Queria que mulheres se conhecessem e entendessem que uma cócega não é um orgasmo e que se resolver desde cedo já é um avanço para paixonites mal cuidadas, para mimadas mal amadas e também levanta a auto-estima. É isso!
Mariana Perin
Escrito por Clareador Cerebral às 21h36
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