Carta resposta ao sagrado mundo da ficção
Oi, tudo bem? Desculpe-me a demora, mas a vida está uma correria e cada dia que passa me vejo mais entretida com esse mundo desumano. Tudo está indo, correndo contra o tempo como se fosse mágica. Estou diferente sim, assumo! Crescer a cada dia dói mais que todas as loucuras de adolescente. Lembra-se das nossas loucuras? Ah! Nem foram tantas, mas parecem histórias inacabáveis. Outro dia escutei aquela música do passado, lembrei do dia em que nos conhecemos. Calor não é? Lembro do meu jeito de menina vestindo calça jeans e tênis barato, e você com tipo de mais velho, mas ainda um menino que quase não tinha barba. Éramos felizes e não sabíamos, fazer o que? Minha arte está na minha alma e na minha pele, ainda estou viciada em Chico Buarque. Mas nem tanto – risos. Pelo menos deixei Pink Floyd e Legião Urbana de lado. Escrevi bastante sim, até mandei algumas coisas para que você lesse, não sei se isso aconteceu, mas queria que sim. Espero que sim. Desejo que sim. Saudades! Às vezes bate como luz nos olhos ao acordar, mas me remeto à realidade e logo passa. Consegui enfim terminar os 100 melhores contos brasileiros do século. Quantos anos não? Mas tive que ler cada um ao seu tempo, e acho que amadureci muito para alguns e para outros não. Queria te mostrar tanta coisa, mas acho que hoje em dia não combinaria muito com você. Esse alguém que não conheço mais, mas sou obrigada a me relacionar por simples vício. Vício de você, como se fosse um alguém de ontem, hoje e sempre, alguém que estará na minha vida para sempre. Não queria que você abandonasse o violão pelo dinheiro, aquele menino das serenatas não pode ser esse crápula de hoje! Desculpe-me. Não devo chamar-te assim, é que dói imaginar que você não cresceu, ou cresceu para essa terra de meu Deus sem dono chamada vida. Sim, eu ainda acho que dinheiro não é tudo. “Nada pode tudo na vida” como diria o Itamar. Ah! Acho que você leu nos jornais sobre a morte dele, já esperava, mas minha mãe não ficou bem e ele foi enterrado aqui no nosso túmulo, aquele que você nos visitou na última morte da família. Ah! Desculpe-me não ter comparecido ao velório do seu avó, mas como não sou nada sua, não me senti no direito. Espero que você esteja bem, apesar de sua boa relação com a morte. Desculpe-me não ter ligado no seu aniversário, mas era Carnaval, e não quis atrapalhar. Fiz-te um poema. Recebeu? Eu recebi sua última ligação, ouvi sua voz, fui rude, e fiquei quietinha no trabalho pensando sobre o certo e errado. Mande um beijo para os seus irmãos. Estou bem. Minha vida tomou um rumo, acho que viu, e brincar com o passado não é a melhor tarefa. Quer saber? Eu e Ele estamos bem também, melhores que nunca, tirando uma briga que tivemos, ele voltou para a casa dos pais e trepou com meio São Paulo. Nesse tempo separados, eu trepei com um. Não vale a pena contar. Conto somente você e Ele, o resto acho que não vale a pena em nada. Queremos um filho agora, eu quero. Mulher tem dessas. Ouvi falar que você ficou noivo. Típico! Um cara como você não moraria junto nunca, fora que sua família não suportaria. Sua noiva provavelmente é loira, alta, filha de algum amigo dos seus pais. Deve ser aquela santa, que você leva ao Motel depois de jantar no restaurante sábado à noite e se revela. Das melhores. Ainda não consigo segurar minha língua, nesse caso, meus dedos, e escrevo o que penso. Não te amo mais. Mas queria que soubesse que estou aqui. Sem mais.
Ficção e realidade muitas vezes esbarram-se. Se isso é verdade ou não, basta me perguntar.
Mariana Perin
Escrito por Clareador Cerebral às 15h10
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Feliz ou Infelizmente
Como sempre eu dou referências de links ou colunas que leio sempre. Mas hoje foi impossível não postar a coluna quase que na íntegra. Meu texto que estava pronto fica para outro dia, pois segue abaixo e espelho de quem sou! E foi escrito por mulheres que nem sabem da minha existência - ou sabem... risos
Mariana Perin
O apego pelos sujinhos
2 neurônio
Sempre nos orgulhamos de gostar de garotos meio sujinhos. Aqueles que não têm o cabelo tão penteado assim, usam a roupa meio mal-ajambrada e até dão calote no banho de vez em quando. E que desde infância usam cabelo tipo "caminho de rato". Gostam de bandas barulhentas. E a gente achou isso meio adorável. É como se nosso namorado fosse o James Dean. O apego pelos sujinhos é uma doença que preocupa a família. A sua prima está lá, no almoço de família, com o namorado médico. E você, com um cara todo troncho sem profissão. Depois do primeiro sujinho aparecem outros. E a sua família até fica feliz quando você apresenta um sujinho que pelo menos tem profissão. Os sujinhos nos atraem pelas roupas fofas descombinadas (que eles ficaram horas experimentando no espelho) e pelos problemas. Vamos aqui repetir que sofremos de atração por PIDs (pretês com infância difícil). Isso inclui filhos de hippies criados em comunidades bizarras e garotos que foram achados na lata de lixo (nunca encontramos um desses, mas, se encontrássemos, fatalmente nos apaixonaríamos). Um dia você acorda e vê que isso não tem graça, pois os sujinhos desajustados bagunçam sua vida também. E você até gostava de brincar de "playmobil problemático", mas depois de uma seqüência interminável de sujinhos, isso perdeu a graça. Você resolve que, a partir de agora, só vai namorar gente séria. Engenheiros, advogados e rapazes que tenham vergonha de dizer que deram calote no banho. Moços que nunca deram calote no ônibus. Alguém que tenha carro. Garotos de boa índole para apresentar para a sua mãe. Senhores que ajudam. Mas é só um rasgadinho passar pela frente para você ter taquicardia. A solução é encontrar um sujinho fake. Um garoto mal ajambradinho com a roupa meio torta e que não amarre o cadarço. Mas que esteja ali quando você precisar. E que saiba brincar de "playmobil adulto" de vez em quando. Sobretudo, que não faça um caminho de rato no seu coração. E por que mulheres como nós gostam de sujinhos? Ah, como sempre, é tudo culpa do Iggy Pop, do David Bowie... E do Beck (que está lançando disco novo, mas continua sujinho!)
Escrito por Clareador Cerebral às 13h52
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