Não!
Se aquilo tivesse um cheiro, seria o cheiro das suas roupas de bom menino bem lavadas, dignamente com resto de amaciante. Estou com esse cheiro até o presente momento e não entendo o porquê dele não ir embora da minha mente. Vem e vai, com meus pensamentos. Guiando-me ou assoprando poeira batida e salgada sobre meu gosto, com saudade daquela noite sem trilha sonora.
Era somente eu e você, sem entender ao certo o significado do o amor e discutindo relações inconstantes de nossa vida. Eram dois adultos rindo de si mesmo ao perceber que a vida nunca está nas nossas mãos. O único controle que temos é o da TV ou do aposentado videogame no quarto do irmão. Brincar de crescer é complicado, pois somos personagens das mais diferentes histórias. Talvez parar o momento naquele abraço fosse a solução, pois há tempos não me sentia tão segura e quente entre os braços de alguém.
Cair de uma escada me fez refletir sobre o quanto sou frágil e sólida ao mesmo tempo. Refleti mais um pouco sobre o que realmente é ser alguém estável. Ser apaixonado é muita loucura? E por que o amor nos dá essa sensação de segurança incrível. Sinceramente, alguém sabe a diferença entre o amor, a paixão e o ódio? Eu começo a entender aos poucos.
Lembrar daquele gosto na minha boca enquanto chorava no meu carro era a sensação do amor perdido, aquele único sentimento que temos certeza e nos deixa tão confortável. Senti que te amo e não escondo. Mas aquela menina reapareceu deitada no volante sem entender porque a vida tem que ser assim! Com meus olhos pesados, cheguei em casa, tirei minha roupa de mulher e dormi sozinha na cama fria. Dormi com o amor em meu coração e ele está aqui, quietinho, para sempre.
O ódio é igualzinho o amor, mas é malcriado! Nem adianta escrever sobre o ódio, pois só quem já sentiu pode dizer. Sabe aquele alguém que te decepcionou a ponto de questionar se é bom viver? Essa sensação por essa pessoa é ódio (misturada com mágoa), pois se mistura com o amor tido pelo outro. O ódio sozinho não existe, ele vem acompanhado sempre do bem, mas algo o perverte e quando vemos, sentimos aquela coisa ruim zunindo em nossa mente. Odiar é bem parecido com amar e não suportar. Paradoxal.
Quanto à paixão, ah! Bela doença. É a inspiração de Amelie Poulin a procura de seu amado, ou é aquilo que nos faz sonhar com os minutos mais demorados de nossa vida. É aquilo que faz a pista de dança parar e só deixar a luz bater no rosto de cada um dos amantes, é aquilo que faz chorar de mansinho e ao mesmo tempo faz sorrir de canto de lábio. Mas também é a mais cruel, mais má! Faz com que você grite sem entender o porquê, faz com que você rasgue sua roupa com ódio de si mesmo, é aquilo que te faz andar uma grande avenida quatro vezes durante à tarde para não matar o outro por quem é apaixonado. Patos! Paixão vem disso, patologia, doença, loucura!
O cheiro daquela noite me deixou apavorada e apaixonada novamente pelo nosso amor. E me fez ter ódio da vida. Por que?
Mariana Perin
(Em mais uma divagação -
Esse texto é baseado em fatos da vida
No presente, passado e futuro
A realidade foi viajar nessa tarde...)
Escrito por Clareador Cerebral às 18h25
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