O lado negro do amor
Sou uma cinéfila de plantão e detesto discutir cinema com quem não entende. Pode ser uma prepotência minha, mas não consigo! Deixo a pessoa falar e penso: Meu Deus! Será que você tem certeza do que você está falando? Eu já gostei de filmes trashs, de filminhos blockbusters, já gostei de pornôs... Mas esses não são preferências minhas. Eu gosto do bom e velho cinema clássico, sem efeitos especiais, com enquadramentos subjetivos e muita câmera na mão. Como diria o gênio Glauber Rocha: “A boa e velha câmera na mão”.
Comecei a gostar de cinema pequenininha. Meu pai e minha mãe (na época casados) riam sozinhos sobre a diferença de gostos cinematográficos. Minha mãe ainda fã de Coppola e meu pai viajando em Alien e Star Wars. Acho que cheguei no ponto que queria.
Após anos, fui ao cinema com o meu pai. Foi uma delícia e paguei o seu ingresso (quem diria!). Quem olhava, via na cara uma mulher com seu pai se divertindo num fim de tarde, pois era impossível não perceber a relação pai e filha. Foi bom, ele me ligou ontem todo empolgado e disse: Vamos ao Star Wars? Pensei que podia ir, pois havia perdido a pré estréia para imprensa mesmo. Depois de 20 minutos, ele passa para me pegar e fomos ao gigantesco (e odiado por mim) Cinemark. E lá, enquanto as luzes não se apagavam, conversávamos sobre a mágica e ritual de se ir ao cinema e ao teatro. Falei sobre o cheiro do teatro (sempre falo disso), e ele me contando quando assistiu todos aqueles filmes de ficção científica aos seus vinte e poucos anos. Ah! Nostalgia!
O filme começa. Cromaqui rolando a vontade – não gosto de efeitos especiais. Mas respeito o George Lucas. Aliás, respeito o Star Wars, pois só um gênio teria a visão que ele teve no final da década de 70. Para os que não sabem, os três últimos filmes do Star Wars foram lançados primeiro, pois o George Lucas, ao ver seu roteiro pronto, percebeu que o cinema ainda não suportava suas idéias. Ele não tinha meios para realizar todos os seus planos com a tecnologia da época. Portanto, ele começou do meio. É genial isso. Mais genial ainda é pensar na história como um todo.
Um amigo meu, sabendo da minha cinefilia, me mandou hoje uma tese (pequena) de mestrado sobre a saga do Senhor Lucas. Realmente ele não é qualquer um e já realizou seu grande feito na história do mundo cinematográfico com seus seis filmes.
Posso voltar para o filme? Pois bem... Sabe o que me assustou? O filme ser de amor, e tudo aquilo ter acontecido por causa do amor cego, que nos deixa doente! Mas há uma diferença, nós não temos sabres para matar o próximo quando o problema chega. E realmente certas coisas nos levam para o “lado negro da força”. É aí que vem a maravilha: Quem somos nós para julgar um coitado que sofre, tem medo, tem ciúmes, tem pavor e tem saudades? Se eu falar mais, quem nunca assistiu qualquer um dos filmes vai me bater. Por isso, paro por aqui.
Mas quem não concordar comigo, quero que saiba que não é qualquer um que escreve uma saga que envolve política, economia, força e psicologia viu? Tenho dito. Se você me perguntar se Star Wars está no meu top 5 de melhores filmes, não está não! Mas com certeza meu respeito por esse diretor é único.
Saímos do filme, meu pai ainda falando sobre sua adolescência e eu com um sorriso no rosto. Ele me deixou em casa, meu deu um beijo, pediu para que eu me cuidasse, e se foi. E eu, fiquei pensando se não tenho um “quê” do mal de Anakin. Mas lembrei que, modéstia a parte, sou doce como a Princesa Amdala, mulher forte, política e apaixonada.
Mariana Perin
Escrito por Clareador Cerebral às 10h31
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