Freud explica
Acabei de sair de um banho gostoso. Daqueles que lavam até a nossa alma. Lavei o cabelo duas vezes e enxagüei como se fosse meu último banho. Pensei no meu dia tumultuado e nas pessoas que vieram em meu pensamento. Saudades? Pode ser. Mas na verdade, me julguei nostálgica, madura e feliz.
Lembrei de pessoas do meu passado e conversei horrores hoje com pessoas que amo. Conversei com alguém sobre a vida a dois e sobre a insegurança de ser parte de dois, isso quer dizer, ser a porção feminina de um casal. Reflexão pós dia dos malhumorados, ops, quer dizer, namorados? Não, apenas mais uma reflexão.
Aqui em casa as coisas sempre foram às claras. Não sei se vocês sabem, mas moramos em três mulheres, uma fêmea e um macho recém chegado. Até bem pouco tempo atrás, havia overdose de progesterona no meu lar. Volto ao ponto – aqui sempre foi preto no branco e tudo sempre foi de verdade, pelo menos a cumplicidade dessas três mulheres. Minha mãe, mesmo famosa nesse blog, não é perfeita. Tem defeitos para dar e vender, mas é a minha Mãe. Ela, pelo menos, nunca nos fez enxergar que a vida é um conto de fadas, que temos que ralar muito, damos valor às artes e ao dinheiro e damos valor às relações. Como assim? Bom, as relações amorosas não são tabus por aqui. Aqui, traição e sexo são assuntos freqüentes no jantar e risos ao ver que aprendemos muito uma com a outra.
Eu sou a mais conservadora emocionalmente. Prefiro não me arriscar e ainda arrisco a fidelidade. Não significa que sempre foi assim. Aqui em casa, monogamia não é pregada mesmo, e ouso me expor ao dizer que nem sempre fui monogâmica. Com qual das histórias de amor? Não direi, isso é meu e só meu, mas tinha que me declarar culpada. Mas de que?
É tema dos meus filmes favoritos e livros favoritos. Lembrei dos julgamentos primários aos 15 anos, de quando saia pregando que “quem ama não trai”. Será? Dia desses meu namorado assumiu ter vontade de ficar com outras pessoas – aí fui descobrindo coisas ali e acolá. No final, quase brigamos! E ele, para ficar comigo, teve que esquecer essa história. Às vezes é melhor não sabermos de algumas coisas, pois é um estupro emocional. Vou contar uma historinha... Ele transou com um casinho dele logo depois de voltarmos. Foi uma despedida e eu entendi, pois também passei a noite (mas não fui para a cama) com um casinho meu, também como despedida. Eu entendi, lógico! Mas isso não é uma coisa saudável para se saber. Ele odeia ouvir sobre a minha vida, pois se sente totalmente paranóico imaginando outro tocando em mim.
Apaixonei-me por um cara uma vez. Uma paixão boba, claro! Mas com essa paixão descobri o respeito sobre mim e sobre os meus limites. A verdade dói. Não é fácil ver o que supostamente é (ou era) seu com outra pessoa. Um amigo meu sofre por causa de uma paixão assim, às escuras. Minha irmã terminou um relacionamento de anos e se jogou numa paixão. Minha mãe e meu pai também viveram paixões – e se magoaram horrores. Pra que então a verdade?
É a matrix dos relacionamentos. Tomar a pílula vermelha ou a azul? Saber a realidade ou manter sua vidinha do jeito que é. O Orkut também vem entregando algumas “ferocidades” do mundo a dois. Posso contar em duas mãos a quantidade de relacionamentos desmanchados por causa das deduções e escancarações daquilo. Como algo virtual pode desenvolver sentimentos tão baixos? Digamos assim, o Kut Kut é o detetive particular do mundo moderno.
E se você trair, não se culpe! Culpe o mundo moderno, culpe o amor, culpe Freud, culpe seus pais, culpe o filme “Perto Demais”, culpe alguém. Culpe o traído, mas não se culpe.
Tudo isso pra dizer que ando desiludida, mas ainda amo. Com altos e baixos, com assuntos sérios e outros relevantes. Mas aqui estou, abrindo mais um pouquinho de mim. E nem venha dar em cima do meu namorildo que eu mato! (risos)
Mariana Perin
Escrito por Clareador Cerebral às 20h19
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