Beatriz
Eu choro ouvindo essa música. Porque eu deveria me chamar Beatriz ou porque essa música me parece só minha. Pode ser idiotice achar que uma música do Chico Buarque é só minha. Mas é, e hoje eu penso isso com o maior egoísmo do mundo e me orgulho. Essa música não me sai da cabeça desde ontem. Por ser uma atriz, não sei... Por estar confusa... Talvez? Apenas está, como algo que gira e gira, sempre voltando ao lugar de origem.
O mais engraçado é que terminei um livro e podia escrever tanto sobre ele... Mas não sei, cansei. Porque meu estado de tristeza que chega a ser belo e divino pede uma trilha sonora à altura e não qualquer música. Meu espírito parado e sombrio, apenas observo de soslaio o que acontece comigo. Medo? Pode ser... Aguardo por qualquer coisa.
Chico Buarque - Beatriz Olha Será que ela é moça Será que ela é triste Será que é o contrário Será que é pintura O rosto da atriz Se ela dança no sétimo céu Se ela acredita que é outro país E se ela só decora o seu papel E se eu pudesse entrar na sua vida Olha Será que ela é louça Será que é de éter Será que é loucura Será que é cenário A casa da atriz Se ela mora num arranha-céu E se as paredes são feitas de giz E se ela chora num quarto de hotel E se eu pudesse entrar na sua vida Sim, me leva pra sempre, Beatriz Me ensina a não andar com os pés no chão Para sempre é sempre por um triz Aí, diz quantos desastres tem na minha mão Diz se é perigoso a gente ser feliz Olha Será que é uma estrela Será que é mentira Será que é comédia Será que é divina A vida da atriz Se ela um dia despencar do céu E se os pagantes exigirem bis E se o arcanjo passar o chapéu
Escrito por Clareador Cerebral às 14h38
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