Acerca da minha bunda
Ta, dane-se, mas hoje vou ser bem fútil, ainda mais depois dos elogios que ganhei nas últimas semanas. Papo de manicuri é um saco, pois bem, mas sentadinha ali, pintando minhas unhas de vermelho, uma profissional dessa arte chega e me diz:
- Nossa, você parece a Demi Moore em Gosth.
Minha primeira reação foi rir, obvio, mas depois fiquei bem feliz. Sou esse serzinho com cabelos curtos e negros, cor natural, nunca cheguei perto de uma tinta (apesar dos cabelos brancos, divagações já abordadas anteriormente). Mas posso dizer que fiquei feliz.
Eu passei por um processo complicado com o meu corpo nos últimos tempos. Sempre tive uma barriguinha meio saliente, nada demais, mas ultimamente tive que deixá-la em evidência. Representei uma garota que se chamava “Gorda”, na peça Aurora da Minha Vida, e esse desafio, parecer gorda e desleixada me deixou mais ou menos com a auto-estima em baixa e com esse apelido na minha escola de teatro pro resto do curso. (Ainda bem que foi marcante).
Meu diretor pediu para que eu cortasse mais o cabelo e o deixasse bem pequeno, para arredondar o meu rosto e assim o fiz. Gostei, mas ao mesmo tempo aquela não era eu, era a Gorda ou era a atriz que precisava de um cabelo curto pela praticidade da peça.
Como cresce rapidamente, meu cabelo ainda curto está mais ajeitadinho agora... e receber um elogio desses num salão de beleza me fez enxergar a Mariana que sou.
Mesmo assim, me olho no espelho e vejo que sou grande. Grande em todos os sentidos. Sou alta, não sou baixinha, tenho porte atlético... poxa, porque não ser magrelinha? Cada vez que uso uma calça jeans percebo a minha nacionalidade. Já fiz regime, já emagreci muito, mesmo assim... Para que então pirar com o tamanho da minha bunda? Imagine você ser o símbolo de um país cheio de garra, graça, molejo e mulheres bonitas... Nem toda brasileira é bunda, mas a minha bunda ta aqui e tenho que conviver com ela.
Escrito por Clareador Cerebral às 09h19
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Ó capitão, meu capitão!
Tem aquela cena de “Sociedade dos poetas mortos”, em que os alunos sobem nas mesas para referenciar o seu mestre, o capitão.
- Oh Capitain, my capitain!
Diziam esses alunos.
É mais ou menos assim que me sinto hoje, querendo subir em mesas e chorar. Estou
de luto, mas não é a toa. Raul Cortez faleceu ontem, e sem uma demagogia barata, digo que estou triste mesmo. Era um mestre, aquele cara que me inspirava, que sorria para os alunos se ali já explicava muita coisa sobre a arte.
Ano passado estava em uma de suas palestras e perguntei sobre o trabalho feito com atores que retratavam o amor na terceira idade (Ele e Fernanda Montenegro no filme “Do outro lado da rua”). Ele paternalmente me disse: Querida, o amor existe, está dentro dos atores e dói tanto quanto em vocês, jovens. Basta achar em nossas veias onde está o sentimento para compor a personagem e não fingir ou interpretar um sentimento.
Aqui deixo meu adeus.
Mestre, obrigada por ter sido uma das maiores personagens que ilustraram o teatro em São Paulo. Termino esse post aos prantos. Quem me conhece sabe o que é o Teatro para mim.
Escrito por Clareador Cerebral às 10h56
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