Se servir como consolo...
As mulheres são naturalmente carentes. É um dengo que não acaba mais, uma tristeza tão profunda que não se sabe onde começa ou onde termina. Mas é só fazer sexo e pronto! Todas exibem um sorriso de orelha a orelha.
Certa vez eu estava tão tristonha que comprei um consolo. Sim, exatamente isso. Um consolo nada mais é que um “pênis de borracha”. Influenciada por uma amiga, com medo do julgamento alheio e que meu namorado da época me achasse louca, lá estava eu num sex shop olhando atentamente a todos os borrachudos.
Alguns eram rosas e enormes, outros eram negros (acho que toda mulher tem fetiche com negão, pq no sex shop a maioria dos “big boys” eram negros e enormeeeesssss). Conversando com a atendente, me contentei em comprar um de borracha transparente e de tamanho normal, ou seja, 17 cm.
Já em casa, comecei a olhar para a coisa e já me arrepender dos 60,00 R$ pagos. Tinha feito uma merda das grandes, e se alguém descobrisse eu estava ferrada. Sem coragem de usar o amigo, já pensava em ir até à loja e trocar por algum óleo afrodisíaco ou mesmo uma fantasia de enfermeira que nunca seria usada. Mas não... Algo me permitia ficar com ele.
Aos poucos, fui me libertando. Na primeira semana, apenas conversava com ele e o batizei de Bob. Já na segunda semana, pensava em usá-lo, mas comecei com um auto-julgamento e também fiquei impedida de cometer a sua desvirginização.
Numa noite fria em São Paulo, resolvi usá-lo.
Procurei em todos os cantos do apartamento e não achava.
Liguei para a amiga que morava comigo e nem ela sabia da existência do Bob.
Um desconsolo começou a me dominar e eu preocupada com Bob perdido nessa cidade enorme, ou mesmo que a faxineira estaria judiando do pobrezinho e o obrigando a fazer coisas que ele não quisesse.
Meu telefone tocou e era um amigo. Fui para a casa dele e acabei atacando o coitado. Ele não entendera o porquê até hoje – apenas expliquei que Bob fora embora e que minha vida nunca mais seria a mesma.
Ensaiei comprar outro certo dia. Mas preferi entrar na Arezzo e comprar um sapato na promoção. Não faria isso com ele. O primeiro consolo a gente nunca esquece.
Escrito por Clareador Cerebral às 15h17
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