A história dos outros, uma história de todos
Uma mesa, uma caneca, um computador, muitos papéis e uma trufa pela metade. Barulho interminável do teclado. Calor na rua, buzinas, céu azul e tempo seco. Olhando pela janela ela vê um urubu na laje do vizinho. Solitário. Pensa no quanto sua vida parou e se o tempo parasse, como seria? Não agüenta a vida moderna e a cobrança de ser independente e a melhor. Termina a trufa e toma um café. Passam os minutos. Sai, pega o carro e encontra com umas amigas. Conversam sobre tudo, uma delas comenta sobre um conto maravilhoso de um autor cult, cuja história se passa em uma estrada na França durante um congestionamento que dura anos. Riem. Pede o livro emprestado à amiga, mas seu pedido não é aceito. Trânsito infernal. Chegam lá. Sentam, conversam sobre profissões e percebem que estão sendo observadas. Flertam um pouco, sorriem, olham de soslaio. Dirige até em casa sozinha. Abre a janela, está calor; na geladeira, nada! Liga a TV, assiste a qualquer coisa inútil. Deita na cama e percebe o vazio de sua vida. Anos 2000. 20 e poucos anos. O amor é utópico demais!
Escrito por Clareador Cerebral às 14h17
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