Clareador Cerebral


Tim Maia, meu amigo...

[Amigos de infância, no bar. Os dois, trinta e poucos anos. Ela, advogada. Ele, professor. Algumas coisas devem continuar intocadas pelo tempo, mesmo que seja coisa de criança]

 

Carina: É sábio isso, e se passou tanto tempo.

Ricardo: Nem foi tanto tempo assim.

Carina: É. Mas ficou.

Os dois em silêncio

Ricardo: O silêncio? Não, não devia ter perguntado isso.

Carina: Por quê?

Ricardo: Me fez parecer um pouco mais emotivo que sou na realidade.

Carina: Você às vezes consegue ser emotivo. Olha, na verdade, eu te chamei para uma conversa franca.

Ricardo: Pois bem, cá estamos minha cara amiga.

Carina: É engraçado te ouvir zombar de nossa amizade.

Ricardo: Tudo bem Carina, diga logo. (riem)

Carina: Só queria te dizer que nossa história foi muito importante para mim.

Ricardo: Que história.

Carina: Ai como eu sou burra! Na verdade, a história foi só minha, e você nunca soube. Naquela noite, no meu apartamento, eu chorando feito uma boba por causa do Serginho... Naquela noite, eu acreditei que você fosse meu grande príncipe, Ricardo.

Ricardo: Cá, por favor... Logo você, falando de príncipe? Ta mais fácil você ser meu príncipe!

Carina: Seu bobo, é sério. Ri, eu preciso saber o que você sentiu naquela noite.

Ricardo: Faz tanto tempo.

Carina: Mas diga. Se você não sentiu nada, eu vou entender. Mas eu preciso da verdade.

Ricardo: Não tem verdade. Já disse, nem me lembro direito.

Carina: Lembra da música? Eu cantava Tim Maia feito uma louca e você dizia que aquele disco devia ser proibido.

Ricardo: “Tenho muito pra contar, dizer que aprendi...”.

Carina: (Afirmando) Você lembra da música.

Ricardo: (Desconversando) Era essa? Tava brincando, porque você sempre canta essa.

Carina: Ricardo, teria dado certo, será?

Ricardo: Não sei do que você está falando.

Carina: Diz, olha para mim... Você me quis, não?

Ricardo: Carina, chega. Se cuida minha amiga. Me liga quando chegar, tudo bem?



 Escrito por Clareador Cerebral às 22h12
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"A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão"

Olha que engraçado. Li um texto de uma amiga, comparando o Salão de Beleza à “Maçonaria”. Achei engraçado e resolvi escrever também, pois de uma certa forma, a maçonaria está presente na minha vida, mesmo eu a respeitando e dando um devido espaço dentro do meu mundo confuso.

Minha manicure pedia sempre dinheiro emprestado para mim. No começo eu cedia. Ela vinha com o papo do irmão no hospital e nessa, ela me tirou uns R$ 30,00 por mês durante uns 4 meses. Pode parecer mesquinharia, mas depois, conversando com outra cliente desta mesma manicure, soube que ela fazia isso com todas as suas clientes. Meus R$ 30,00 sagrados hoje são destinados a tomate e pepino para salada.

Mas sabe qual é o maior problema? No Salão de Beleza, não podemos chamar as mulheres de irmãs. Porque tenha certeza, ao sair de lá, a mocinha que fazia a unha ao seu lado vai falar mal de você ou você dela. Outro dia, entrou uma senhora de mais ou menos 60 anos no salão. Ela vestia sobretudo, minissaia, uma boina e óculos escuros de plástico. Achei aquela figura um pouco peculiar, mas tentei ignorar sua presença. Eis que este extraterrestre começa a gritar com as manicures, pois sua unha de porcelana colocada em Nova Iorque não estava do jeito que ela queria. Ainda pior, quebrou o alicate da coitada da funcionária com aquelas unhas de gavião horrorosas. Depois do escândalo, adivinhe com quem ela veio puxar papo? Euzinha!

Perguntou até a cor da minha calcinha, elogiou minhas patinhas e mais, disse ter estudado publicidade e jornalismo. Achei estranho tudo aquilo, mas ao citar que trabalho com publicidade, a fera soltou a seguinte frase, seguido de um diálogo bizarro:

Ela: Tenho muitas amigas que trabalham naquela agência famosa de três letras.

Eu: Tá... Bacana para você.

Ela: Fui lá na agência de três letras visitar essas amigas. Elas ganham bem!

Eu: Bom para elas também.

Ela: Para você ter uma idéia, a que comprou menos de mim, comprou R$ 800,00.

Eu: O que você vende? Você não é jornalista e publicitária?

Ela: Ah, eu nunca trabalhei com isso. Eu sempre trabalhei com moda. Fui vender umas roupas para elas. Inclusive, se você quiser algumas roupas de confecção exclusivas e americanas, pode falar comigo. Apesar que... bom, deixa quieto.

Eu abaixei a cabeça, terminaram de esmaltar a minha unha e voltei para a labuta. Não sei ao certo o que este ser quis dizer, mas uma sacoleira metida a besta tratar tão mal alguém até mais digno que ela, isso eu não engoli não. E quanto ao “deixa quieto”, deveria ter respondido que seus óculos de barraquinha da Paulista direto de New York eram bem feios. Passar bem!

 

[Crédito do título: Zeca Baleiro]



 Escrito por Clareador Cerebral às 11h33
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Brincando de Casinha - Releitura

Eu quero um cachorro. Não só um cachorro, mas um cão que me ame e que pule em cima de mim ao entrar em casa. Quero um que rasgue as minhas meias e que eu fique brava, mas que na primeira lambida, eu me amoleça e faça carinho nas suas orelhas. Quero um que me guarde, me proteja e que todos elogiem ao me ver passear ao lado dele. Quero um que coma direitinho, que goste de ração integral e que só faça as necessidades na lavanderia. Meu cão tem que ser moreno, quase bege, ou preto malhado, sei lá, mas tem que gostar de frio. Que deite nos meus pés durante o frio para aquecê-los e que consiga latir a cada toque do telefone. Quero um cachorrinho que goste do meu namorado, mas que morda caso ele levante a voz para mim. Quero também aquelas roupinhas, um potinho com o nome e uma casinha na varanda. Se chover, prometo deixá-lo dormir no tapete, aos pés da cama. Se sobrar almôndegas, serão somente dele, do cachorrinho. Ele se chamará Wisky, Buk ou somente Cachorrinho Perin. Belo nome não? E quando eu estiver bem feliz com ele, nós teremos filhos: um gatinho bem mirradinho com os olhos amarelos. O gatinho se for macho, vai se chamar Meou e se for fêmea, vai se chamar Vaca. O gatinho será bem malcriado, vai arranhar o meu sofá e vai passar horas tomando sol. Eu vou ficar irritada, porque ele vai subir na cama e minha rinite vai atacar. Mas numa noite fria, seremos nós três e o Almodóvar a brincar.

Na verdade, acho que eu quero uma família.

Com papai, mamãe e filhinha.

 

 

[O engraçado é que hoje ouvi uma menininha contar para a mãe que queria um cão e um gato. Estava numa clínica, para fazer um exame de rotina, e ela, toda feliz, planejava sua vida com seus animaizinhos imaginários. Quando comecei a escrever, juro que ia tentar descrever o sonho dessa garota, mas me perdi entre os meus sonhos. Portanto, não se assuste ao perceber tantas coisas lúdicas. Na verdade, só quero ser feliz! Posso?]



 Escrito por Clareador Cerebral às 10h53
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