Este tal de São Valentino
“Esse tal dia dos malhumorados é assim mesmo, minha filha.” (frase por Vera Motta)
Hoje, vindo para o trabalho, lembrei de muitos dias dos namorados solteira e de outros namorando. Pensei que acordei hoje como em qualquer outro dia, mas ao invés de dizer “bom dia amor, acorde, porque estou indo para agência”, eu disse “Bom dia, feliz dia dos namorados”. Sinceramente, acho esta data um pouco inútil e com o advento da Internet, vemos o quanto somos contagiados por isso.
Não vou dizer o clichê, que a data é comercial e bla bla bla, mas acho que no dia dos namorados, nós nos tornamos um pouco mais amáveis. E a história deste dia é uma das mais belas de todas. Um padre chamado Valentino protegia casais proibidos. Ele foi queimado vivo em Roma, se não me engano. Depois, canonizado pelos amantes. Intenso demais!
Há mais ou menos 5 anos, acabara de sair de um relacionamento tortuoso e a comemoção próxima era o dia 12 de Junho. Na época, me desesperei, mas passei essa data ensaiando e depois do ensaio, fui jantar sushi com amigos e amigas solteiros. Ri tanto naquela noite, o suficiente para nunca esquecê-la. Desses amigos, não sobrou nenhum. Mas a lembrança será sempre eterna para mim. Falávamos tão alto sobre a nossa desilusão, sobre a infelicidade de se estar sozinhos numa noite de inverno, que chegava a ser cômico. Num surto qualquer, começamos a cantarolar músicas bregas e quando vimos, todos os casais que pretendiam ter uma noite romântica naquele restaurante regado à peixe cru, cantavam conosco e sorriam, simplesmente porque éramos engraçados. Devia ter cobrado cachê! Mas esta compaixão está além do palpável. Porque sentimento é a única coisa que não podemos pegar, mas sabemos medir e sentir.
E mais que isso, namorar é trocar, é saber que a gente se forma a partir do outro. Lendo o blog de uma amiga que está aí do ladinho, ela pediu que vários amigos dessem seu depoimento sobre o dia dos namorados, e uma pessoa em especial (e que gosto muito) citou tudo que aprendera com seus ex-namorados. Sei que ensinei demais aos meus ex-namorados, mas não sei exatamente o que aprendi e não seria quem eu sou se eles não tivessem passado pela minha vida. E hoje, mais que tudo, aprendo que um namoro depende de mais coisas que jantares, presentes, flores e idas ao cinema (por mais que tenha ensinado isso aos outros). Requer doações e pedaços dilacerados de nós mesmos. O Drummond foi gênio ao escrever sobre “ter ou não ter uma namorada”. Mas o melhor de tudo é saber que cada minuto de nossas vidas com alguém é transformador. E sei somente hoje o que é estar ao lado de um homem de verdade.
Escrito por Clareador Cerebral às 14h26
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