A mãe hippie ao telefone
Eita, mas tá coçando? Oh filha, calma... Não, não sei, não sou médica. Filha, se você não parar de chorar eu não vou poder te ajudar. Alô? Amanda? Ta aí ainda? Poxa filha, vá ao médico! Vergonha de que? Sem camisinha? Ahã. Verde? Filha, você não sentiu arder antes, não tava incomodando? Filha, sei lá... Deve ser gonorréia. Ai meu amor, não to te xingando de nada, mas você também, não é? Tudo bem, é normal... e eu nem sei se é gonorréia mesmo, pode ser candidíase. Não passa nada, vá ao médico. O ignorante que falou para você passar vinagre tem que ir à merda. Filha, vamos lá, você tem 28 anos, nunca passou por isso, ta bem demais. Quando eu era hippie... Tabom, eu não falo mais de quando eu era hippie. Mas pelo menos eu não tinha um corrimento desta cor, viu minha filha! Eu me sinto uma mãe horrível, sabe? Eu sempre te criei com a maior liberdade do mundo, te expliquei que precisava usar camisinha, mas você esqueceu, né? Foi o Paulo? Eu vou matar aquele filho da puta do seu marido se foi ele. Outro? Mas Amanda, você passou pro Paulo? Ai meu Deus, ta pior do que eu pensava. Filha, to indo praí. Vou pegar um avião e vou... Preciso cuidar de você. Pensa bem, Manaus nem é tão longe de São Paulo.
[Eu gosto de histórias maternas. Acho que minha ligação umbilical é muito forte, e mesmo coisas insanas, são escritas muitas vezes sob o ponto de vista de alguém que eu queira ser ou que, bem de longe, eu imagine ser: uma mãe legal. Minha mãe é legal. Acho que serei uma mãe legal. Mas não hippie. risos.
Escatologias femininas são temidas normalmente, e eu, como de costume, quero tirar sarro disso. O problema é que tudo é levado muito a sério. Portanto, vamos nos divertir com essas “ocasionalidades” da mulher moderna.
A Rita Lee é meu exemplo. “Moderno hoje é estar casado com alguém há trinta anos”. Rainha, não?]
Escrito por Clareador Cerebral às 08h54
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