“Não entendo as mulheres e eu acho que elas só entendem de sapatos”, dizia o mal humorado, se arrastando pela sala, bêbado com sua dor, entretendo os amigos. Daquele mal de amor, passara algumas vezes, mas nunca da solidão de ser alguém. A cada gole, um riso sobre si mesmo, um passo retrógrado ao caminho percorrido com o analista sempre as sete da segunda. Apaixonara-se de novo.
E doía, pois era a primeira paixão depois de grande, depois de tantas poucas outras. Invadiram seu universo e novamente não se permitia ser um cara legal. Um menino, como disse a outra? Perdera-se em sua imaturidade e sofria pela falta, não pela solidão.
Saiu pela rua cambaleando. Tentou persuadir uma prima a deitar-se com ele de graça, mas não obteve sucesso. Desceu aquela rua gelada em direção ao centro e a viu. Sentada na porta da boate, com seu salto quebrado. Estava excitado, mas com medo de cumprimentá-la. Congelou seu olhar nos cabelos quase vermelhos daquela que roubara seu coração.
A ruiva olhou. Abriu um sorriso singelo, levantou descalça e pediu desculpas. “Meu sapato quebrou, e estava rezando para que você descesse a rua e me encontrasse”.Não queriam mais jogar. O mal humorado a beijou e a ruiva sentiu-se mulher pela primeira vez.
"Eu tenho certeza que eles só entendem de vídeo-game", dizia a ruiva enquanto o esperava de madrugada!
Escrito por Clareador Cerebral às 15h33
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