Odeio Poesia ou Azeda
Acho que eu me tornei uma publicitária.
Logo eu, que tanto odeio esta raça!
Logo eu, que odeio ter que fazer propaganda na praça.
Ser atriz numa sala qualquer,
Com tanta entrega de cartões e promessa de ligações
Não quero não.
Pra vender, preciso vencer esse tédio
Pensar em arte com queijo
E esquecer o lero lero
Alheio.
Quero só eu e você.
Com mais você, e ele também.
Pode levar outra pessoa se quiser.
Mas só nós
Com “nossos discos, livros e nada mais”
Naquela nossa casa
Para vender nossa cara a tapa
para os que nos amam.
Escrito por Clareador Cerebral às 10h29
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Carina
E eles diziam que música é diferente de canção, enquanto ela os observava, com seu copo na mão. Não entendia nada daquilo, mas não fazia diferença, pois já vivera tantos momentos como aquele que ser leiga pareceria uma máscara. Enquanto os apaixonados gritavam por Adoniram, ela cantarolava baixinho, com as amigas, em estado de felicidade plena. Sua arte era outra, e mesmo que soassem tão agradáveis àquelas notas, simples era seu sorriso. Plenitude.
Carina apaixonava-se sempre por músicos. Namorara certa vez com um saxofonista que tocava Jazz ao pé do ouvido, seu coração sempre foi marcado pelo guitarrista de outrora, mas olhar para as mãos do pianista a deixava sonhadora. Imaginava-se cantando sob seu piano, com um vestido lindo vermelho, com cabelos ondulados e devidamente gomados para a ocasião. Sua voz seria semelhante à de Nina Simone e sua beleza disputaria com uma das belas divas do grande cinema hollywoodiano de 40 e poucos. Subiria uma névoa e aí sim se iniciaria a performance.
Sempre buscou em artistas sua sede de viver, suas fantasias e a vontade em ter mil faces. Uma personagem da vida, como ela mesma dizia, mas quem muito usa máscaras, não sabe quem é. Era um pouco linguaruda também, não tinha medo de dizer o que pensava, mais para esconder a fragilidade de ser uma mulher em busca de alguém. Ainda queria encontrar seu príncipe na esquina a cantarolar uma canção. Mas o pianista era diferente. Seu toque era diferente. Chegou ao tom necessário para se transformar em uma mulher. Transição.
Escrito por Clareador Cerebral às 11h00
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