Eu sempre disse que as luzes do palco emitiam um cheiro.
Não sei do que, mas sei que emitem.
Tenho lido tantos relatos de pessoas, dizendo sobre a sensação de estar no palco.
A minha, se mistura com tantas outras, que nem sei decifrar. É melhor que sorvete, melhor que chocolate, melhor riso. Só não é melhor que dormir nos braços da pessoa amada. Mas são tantas emoções, como diria o Rei.
Na peça que estou em cartaz com a minha companhia, há um monólogo da protagonista, explicando o que é o teatro. Lembro ter sentido coisas parecidas com a de estar no palco quando discotecava, ou ao dançar sob as luzinhas de uma pista de dança. Mas é tão diferente...
Daqui a pouco estarei lá no meu cenário. Com as mesmas pessoas, com o mesmo cabelo encaracolado artificialmente, com o mesmo aquecimento Grotowiskiano. Estou feliz fazendo um teatro de verdade. A vida da personagem é uma vida que nasce.
"Nem a loucura do amor, da maconha, do pó, do tabaco e do álcool vale a loucura do ator quando abre o ciclo sob as luzes no palco (...)” Caetano Veloso – Merda
Escrito por Clareador Cerebral às 13h37
[ ]
|
Jazz-me
Mesmo aqui, bêbado na minha sala gelada, lembro do seu perfume. Doce, suave, que combinava com seus lábios que tanto me matam hoje. Sim, neste meu aniversário, celebrando a merda de vida que é estar sem você. Ah mulher, que saudade da tua boca quente, dos teus braços, de me chamar de menino e eu me sentir um palhaço. Ah mulher, seu cabelo que entrava na minha boca durante a noite e sua unha quebrada a acariciar as minhas costas. Das suas pernas quentes, do seu jeito de mãe, do seu jeito menina. Queria agora um pouco daquele teu vinho, com gosto da nossa história e isso não me satisfaz. Enlouqueço sem saber onde está minha rainha. Sofro cada gota do meu sangue e suo sozinho a tua procura. Na minha mente que não sabe funcionar sem você. Nesta minha decadência, nesta minha boca com gosto de nada, no meu hálito com resto de qualquer coisa alcoólica que exista nesta casa. Quero manter-me embriagado de amor até morrer. Desta carta, doce Melissa, resta dizer que você não é tão boa quanto dizes ser, mas apaixonei-me mesmo assim. Jaz-me.
[Aos leitores, perdão - estou ausente pela arte.]
Escrito por Clareador Cerebral às 16h48
[ ]
|