Ela nunca mais foi
Era tão fácil...
Ou não.
Mas ela jogou tudo para o alto e foi ao encontro do amor. Tinha pizza em cima da mesa e a coca-cola ficou sem gás no copo de requeijão. Mas nada importava, somente a delicadeza de se apaixonar.
Gritou para os vizinhos: “Seus velhos tarados! Danem-se porque eu amo”.
Isso era inusitado. Beatriz achava que aquela dor em seu estômago, aquele comichão nas mãos e aqueles olhos lacrimejantes era o sinal de que, pela primeira vez, ela se deixara invadir.
De tempos em tempos, em seus passados verões, arrebatava sempre um ou dois amores de praia. Seu pai, pobre Senhor Marcino, se punha a chorar do tanto que esperou madrugada afora pela menina. Puxou-a pelas orelhas aos 17 quando a viu usando somente soutien em frente da casa de veraneio.
Nunca amara antes disso.
Mas aos 22 se apaixonou.
E subia a rua sem medo, com uma sensação jamais experimentada.
Seus pés doíam e Beatriz sentia o vento gelado e gostava daquelas pontilhadas da natureza em seu rosto. Seus cabelos na cara não a deixavam enxergar os transeuntes.
- Ta no mundo da lua? Perguntou um qualquer. Ela gargalhou.
Subiu no ônibus, desceu, perguntou ao motorista se estava muito longe e caminhou até o outro ponto, não tão longe dali. Quando o viu, com suas malas e um livro de contos nas mãos, sabia que Deus reservara alguém de outras terras para ser seu dono.
Nunca mais foi Brasileira, mesmo depois de seu primeiro amor.
[para uma mulher que amo. mas está longe de mim. hoje você me inspirou um montão]
Escrito por Clareador Cerebral às 14h28
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