Tomavam banho e suspiravam pelo amor. Ela, enquanto ensaboava as costas de seu amado, sonhava em entender como Deus cria seus homens com perfeição. Cada mancha, cada pinta, cada sarda e cada gota d´água inspiravam seus pensamentos. Saíram do box. Ele pediu uma toalha. Ela, parada, ainda não conseguia distinguir a realidade de um sonho. Deitou molhada na cama. Pensou que teria de lavar aqueles lençóis em minutos, coisa de moça que mora sozinha. Mesmo deitada e molhada, ele chegou e abraçou aquela frágil menina. “Não sou como essas que garotas que você se acostumou a lidar. Sou uma mulher. Mas sua menina”. A moça estava rendida naquele momento e não podia mais suspirar pelo amor. Tinha medo, já fora tantas vezes machucada e magoada que seu coração pedia paz. Os braços quentes pediam aquele corpo fragilizado. Amaram-se. Ela, depois, como um ritual, lavou as roupas de cama, as toalhas. Forrou a cama. Conversaram e ele partiu. Um vazio invadiu aquela sala, assim como os raios daquela tarde ensolarada de verão. Teve medo, mas sorriu. A menina dos cabelos de mel queria somente sentir-se viva sempre.
Escrito por Clareador Cerebral às 17h06
[ ]
|